24 de Setembro de 2015

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Conferência Ethos: paradigmas do consumo em pauta

Um dos debates mais urgentes da sustentabilidade envolve os padrões de consumo do planeta. Da compra de alimentos aos altos índices de desperdício, passando pela moda e os escândalos da sua cadeia e pela influência do entretenimento na cultura, os temas foram pontos fortes no segundo dia da Conferência Ethos 360º.

“Precisamos de demanda por novas formas de alimentação, como voltar a consumir frutas e legumes ‘feios’ mas 100% saudáveis que estão sendo desperdiçados”, disse a Dra. Sally Uren, chefe executiva do Forum for the Future, que tem como uma de suas missões ajudar a criar um sistema alimentar sustentável, com acesso de todos a alimentos saudáveis ​​e nutritivos. Sua fala durante o debate “A inovação para a redução do desperdício de alimentos: da produção ao consumo”, oferecido pelo Carrefour, reforçou a importância de os indivíduos atuarem como alavancas de mudança de comportamento e influenciarem organizações para implantar soluções inovadoras contra o desperdício.

Além das novas tecnologias disponíveis, a educação ainda é apontada como um dos caminhos, especialmente em elos da cadeia como os produtores e agricultores familiares. Complementando a ideia, Alan Bojanic, representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, citou que ainda há 20% de desperdício nessa parte da cadeia, o que estimula programas de conscientização e o desenvolvimento de projetos e infraestrutura no campo para redução dos índices.

Grandes filmes, grande impacto

Uma das atrações na programação do 2º dia foi a presença de Beth Stevens, vice-presidente de Cidadania Corporativa, Meio Ambiente e Conservação de Relações Ambientais na Walt Disney Company. E uma empresa do porte da Disney certamente dá o que falar em termos de impacto: desde a produção de grandes filmes, dezenas de marcas de brinquedos e produtos de entretenimento até a influência sobre a cultura e o comportamento de milhares de famílias e crianças.

Beth apresentou seus esforços em pesquisa e conservação da natureza e as metas zero waste (Zero lixo), zero greenhouse gas emissions (Zero emissões) e water resources conservation (Conservação da água). De 2009 a 2014, foram reduzidas em 50% as emissões de toda a companhia, que tem protocolos, mensuração e multas claras para cada produção que realiza em seus estúdios. Para 2020, pretende-se dar nova destinação a 60% do lixo que ia parar em incineradores e aterros.

O ponto interessante da discussão veio com o projeto Disney Nature, que destina parte dos lucros de bilheteria para projetos de conservação e educação dos stakeholders. Só em 2014, mais de 13 milhões de pessoas foram conectadas à natureza por meio de experiências reais. Além disso, Beth afirma que as diretrizes são buscar uma maior conexão entre o comportamento de seus personagens e atitudes de preservação e diversidade, por meio uma cultura corporativa que chamam de Environmentality (algo como "mentalidade ambiental") e se aplica dentro e fora das telas. A Disney tem programas de educação ambiental e social em praticamente todos os seus parques temáticos.

Inovações para a moda

Oferecida pelo Instituto C&A, a sessão “Inovações por uma indústria da moda mais sustentável” teve como moderadora Carolina de Andrade, Diretora executiva do Social Good Brasil e parceira do Instituto, representado pela  diretora Giuliana Ortega. Juntas, as organizações têm como objetivo apoiar o desenvolvimento de iniciativas inovadoras de impacto positivo na cadeia da moda. Uma das iniciativas, Alinha, foi apresentada no palco por sua fundadora Monyse Almeida. O projeto advoga pela melhoria das condições nas oficinas de costura em São Paulo (são 12 a 15 mil na capital e região metropolitana), desenvolvendo e implantando indicadores relacionados a regulamentação trabalhista, bem-estar e desenvolvimento de novas tecnologias sociais. Em uma plataforma online, oferece oficinas de apoio aos estilistas e organizações interessados.

Responsável pelo projeto Fabric of Change, Cynthia Drayton, gerente sênior da Ashoka, apresentou o grande projeto desenvolvido com a Fundação C&A internacional, cujo objetivo é “mapear inovações para a construção de uma indústria de vestuário justa e sustentável, que respeite as pessoas e o planeta”. “Teremos os primeiros resultados em outubro, quando cerca de 15 inovadores vão contribuir para ajudar a levar a outro patamar a cadeia da moda”, diz Cynthia. Algumas das principais barreiras apontadas pela gerente são os consumidores com tomada de decisão ainda não motivada por questões socioambientais e a falta dessa mesma perspectiva no ambiente das empresas, que ainda mantêm estratégias focadas no curto prazo.