17 de Abril de 2015

Report: notícias

velhos temas, novas necessidades

Estudo lançado pela Global Compact, no início de 2015, traz um novo desenho para a sustentabilidade corporativa

Por Victor Netto e Fabíola Nascimento*

O Guide to Corporate Sustainability: shaping a sustainable future destaca cinco frentes de sustentabilidade onde as empresas costumam atuar e relaciona cada uma delas aos princípios do Pacto Global:

  1. negócios com princípios (direitos humanos, meio ambiente, práticas trabalhistas e anticorrupção)
  2. fortalecimento da sociedade (foco na colaboração)
  3. compromisso da liderança (envolvimento da cadeia)
  4. reporte de progresso (transparência)
  5. ação local (reconhecimento de temas locais)

 

O início do documento reforça os princípios do Pacto e evidencia seus fóruns temáticos, uma forma de oferecer possíveis caminhos para o engajamento das empresas. Ao passar pelos princípios, o estudo também dá luz a diferentes práticas dos signatários. No caso de direitos humanos, por exemplo, 72% dos signatários afirmam tratar da questão através de códigos corporativos, enquanto apenas 14% alegam realizar avaliações de impacto.

Sobre colaboração, são diferenciados os níveis de envolvimento das companhias com o seu entorno (sociedade). O estudo sugere começar definindo os interlocutores (ONGs, outras empresas, academia ou governo) e, na sequência, tipificar o foco da relação com cada um deles, ou seja, esclarecer qual meio as empresas irão utilizar: core business, filantropia estratégica, advocacy ou parceria.

"As empresas inteligentes olham o mundo ao seu redor, veem que os riscos não poderiam ser mais altos, e tornam-se parte da solução". Guide to Corporate Sustainability, 2014.

Os executivos acreditam que suas companhias poderiam tomar um papel de liderança nos desafios globais de sustentabilidade (84% afirmam isso), porém apenas 33% sentem que seu negócio está fazendo esforços suficientes. Portanto, recortar os temas e os stakeholders apropriados se torna fundamental numa estratégia de liderança para sustentabilidade.

Aliar esse posicionamento a um desempenho consistente tem seus desafios, e o estudo localiza como principais: a extensão da estratégia pela cadeia de suprimentos, a falta de recursos financeiros e o cascateamento da estratégia pelas funções na empresa.

A tal transparência

A transparência é ponto fundamental para enfrentar tais desafios e é central na construção de reputação e confiança dos stakeholders (internos e externos). E é notório o quanto as empresas ainda são desafiadas por esse tema. Por isso, o estudo reforça o papel dos relatórios de progresso (de sustentabilidade, anual ou integrado) como base para essa construção, mesmo que o formato das publicações ainda tenha muito a evoluir (leia mais sobre o futuro dos relatos aqui).

Após o amadurecimento das empresas em instituir processos para o relato de informações não-financeiras, é chegado o momento de sofisticar suas métricas, integra-las às implicações financeiras e oferecer uma base sólida e temporal para a tomada de decisão da alta liderança e de investidores.

Os movimentos da nova economia (capitalismo consciente, economias circular e colaborativa, negócios sociais e de impacto, BCorps) chamam atenção para novas formas de fazer negócio, transformando marcas tradicionais e fortalecendo empreendedores que atuam com este viés.

Entretanto, a preponderância do propósito das organizações tem sido destaque nos fóruns de sustentabilidade. Para tanto, não são mais suficientes soluções de comunicação ou novas abordagens de marca. É preciso que as empresas retomem seu propósito atuando firmemente em dimensões como as que são oferecidas pelo Pacto Global e outros standards. Além disso, as empresas que ganham destaque são aquelas se aliam a organizações reconhecidas, contribuem e influenciam as discussões relacionadas ao seu negócio. Resta saber quais se posicionarão à frente.

*Victor Netto e Fabíola Nascimento são consultores na report