6 de Abril de 2015

Report: notícias

Pacto Global lança princípios para agronegócio e indústria de alimentos

Há quinze anos, o Pacto Global das Nações Unidas tem estimulado diferentes organizações a atuar na defesa de princípios relacionados à ética, ao meio ambiente e aos direitos humanos e trabalhistas. Para avançar nos compromissos e aprofundá-los em dois setores vitais da indústria – alimentos e agronegócio –, a rede brasileira do Pacto Global lançou, em março, os Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura (PEAA).
 
Divulgado em primeira mão em setembro de 2014, em assembleia das Nações Unidas em Nova York, os princípios foram desenvolvidos a partir de uma série de consultas com lideranças de 18 países, incluindo o Brasil. A ideia é impulsionar critérios de sustentabilidade na gestão e na estratégia de empresas desses setores, com foco em temas como segurança alimentar, desenvolvimento da cadeia de valor, trabalho decente, governança corporativa e disseminação de tecnologia e conhecimento no campo e na indústria.
 
Encontro de lançamento dos PEAA, em São Bernardo do Campo (SP). Imagem: Felipe Abreu.
 
No Brasil, as discussões e contribuições foram coordenadas pelo Grupo de Trabalho de Alimentos e Agricultura da rede do Pacto Global, com consultas online e presenciais para mapear temas prioritários entre diversos públicos da ONU e das organizações da rede do Pacto Global – como pesquisadores, ONGs, cooperativas e parceiros de negócios. 
 
“A partir daí, iniciamos a definição dos seis princípios e seus objetivos e metas”, afirma a coordenadora do GT e diretora de Sustentabilidade da AMAGGI, Juliana Lopes. Segundo ela, a expectativa é que o Brasil exerça liderança no tema. “A ONU acredita que o Brasil seja um dos poucos países capaz de aumentar consideravelmente a produção de alimentos, com o menor impacto ambiental possível.”
 
O lançamento dos PEAA no Brasil, realizado em São Bernardo do Campo (SP) em 5 de março, foi marcado por um workshop para debater a relevância dos seis princípios no contexto nacional. O principal desafio, para Lopes, é identificar pontos de vista consensuais dentro da complexa cadeia produtiva dos dois setores, a fim de definir uma agenda de discussões e ações e pensar em articulações entre políticas públicas e setoriais. “Elaboraremos um plano de ação para os próximos dois anos. É importante, para esses setores, que haja uma estrutura de governo que favoreça a produção sustentável, por meio de incentivos fiscais, por exemplo, e esse plano pode ser uma diretriz.”
 
Juliana Lopes, da Amaggi: Brasil deve exercer papel de liderança na implantação dos PEAA. Imagem: Amaggi.
 
Um dos temas fortes percebidos durante o encontro de lançamento foi a transferência de conhecimento e tecnologia – percebida como estratégica não só para aumentar a produtividade dos negócios, mas também para qualificar empresas e produtores em aspectos ambientais, trabalhistas e de acesso a linhas de crédito e financiamento. Nesse eixo, a rede brasileira do Pacto Global e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) lançaram, junto dos PEAA, a cartilha “Financiamento para Pequenos e Médios Produtores Rurais”, elaborada pela Câmara Temática da Agricultura, do CEBDS. “A ideia é criar uma rede de desenvolvimento, com a parceria entre o pequeno, o médio e o grande produtor e as grandes empresas”, conclui Juliana Lopes.
 
+ leiaos Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura (PEAA) aqui
 
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