6 de February de 2015

Report: ensaio

como conectamos sustentabilidade e cultura

Depois de alguns anos empenhadas em inserir os temas de sustentabilidade no dia a dia da gestão, muitas empresas encontraram um novo obstáculo: como propagar essa consciência na cultura corporativa? Só assim, pode-se imaginar um futuro no qual essas questões deixem de ser atribuição de uma área ou departamento e passem a fazer parte inerente da tomada de decisão.

Por Álvaro Almeida*

Com isso em mente, decidimos investigar como conectar sustentabilidade, especialidade da report, com cultura organizacional. Constatamos que o mundo das relações de trabalho está em plena transformação. Cada vez mais, as pessoas buscam se conectar a organizações que compartilhem da mesma visão de mundo, com indivíduos e profissionais que se reconheçam em seus valores e que almejem propósitos comuns. Simplificando bem: propósitos atraem pessoas que se identificam por valores e comportamentos comuns alinhados à sustentabilidade (assim, esperamos).

Trabalhar, portanto, os valores dos stakeholders de uma empresa, buscando localizar os pontos de convergência aos temas de sustentabilidade se revelou um caminho inovador que, enfim, nos permite conectar o tema aos corações e mentes corporativos. Inovador porque, apesar de bastante comum no mundo dos recursos humanos, a análise de valores é utilizada fundamentalmente para superar gargalos de gestão e engajamento institucional, sem qualquer vínculo com a sustentabilidade.

Como se tornou prática na report, optamos por testar a metodologia em nós mesmos. Para tanto, contamos com a experiência do consultor Bernardo Teixeira Diniz, da Spirit, especialista em planejamento estratégico e instrutor certificado na metodologia dos Sete Níveis de Consciência, desenvolvida pelo britânico Richard Barrett e já aplicada em mais de 4 mil empresas em 50 países. O resultado foi transformador.

Convidamos 88 pessoas, entre funcionários, clientes, fornecedores e diversos tipos de parceiros a responderem quais eram os principais valores e os comportamentos que melhor lhes descreviam; quais os que se enquadravam na report do presente; e quais projetavam a report do futuro. Com esse levantamento, foi possível identificar os pontos de convergência de todo o grupo e dos públicos separadamente, além dos valores limitantes que precisavam ser mitigados. Somado ao estudo de materialidade que realizamos na mesma época, o levantamento de valores e comportamentos nos proporcionou um precioso conteúdo para o nosso planejamento estratégico.

O processo nos permitiu identificar os valores que melhor expressam a cultura da report, portanto, aqueles que unem nossa rede de relacionamentos e que devem pautar nossas práticas e iniciativas (veja abaixo). Ao final, com a colaboração de outro parceiro qualificadíssimo, Vicente Gomes, da consultoria Corall, reafirmamos nosso propósito como organização e construímos nosso mapa estratégico, tudo coerentemente alinhado aos interesses de todos os públicos. Concluímos que, tão importante quanto ter uma ótima ferramenta, como a metodologia dos Sete Níveis de Consciência, é maximizar os benefícios de suas descobertas, alinhando propósito, valores e comportamentos individuais e coletivos e estratégia à perspectiva de sustentabilidade.

 

*Álvaro Almeida é socio fundador da report

 

+ Leia a entrevista com Vicente Gomes, da Corall