9 de Setembro de 2013

Report: ensaio

3º encontro g4 - a dimensão do engajamento demandado pela GRI e pelo mercado

“Materialidade é determinada pela relevância e pela importância de uma questão. Uma questão material irá influenciar as decisões, as ações e o desempenho de uma organização ou de seus stakeholders.” (AA1000, 2011)

Consultar é um passo importante para as organizações. Dar retorno após essas consultas é um grande desafio. Incrementar essa troca para criar um processo de engajamento estratégico e integrado é a meta que as organizações devem visar nesse momento. Nesse sentido, a materialidade, proposta pela G4, pode ser o ponto impulsionador desse processo.

As experiências com o relato de informações financeiras sempre foram observadas nas discussões sobre sustentabilidade. A aproximação do rigor metodológico e da confiabilidade das informações são desafios para as organizações que buscam justificar a importância de gerir temas socioambientais. Construir dados e indicadores consistentes e que realmente subsidiem as tomadas de decisão não é tarefa fácil Por isso, muitos estudos e frameworks que apoiam as organizações nesse sentido tentam adaptar conceitos e ferramentas já conhecidas no “mundo financeiro” ao campo da sustentabilidade.

A norma AA1000, por exemplo, estendeu o conceito de materialidade para nortear sua metodologia de engajamento com públicos de interesse. Neste movimento, a consultoria inglesa AccountAbility resgatou, nas demonstrações financeiras, os critérios para avaliar a magnitude das informações do relatório quando elas são omitidas ou distorcidas.

Com a responsabilidade da materialidade entregue às organizações e stakeholders, a GRI tratou de firmar esse conceito como princípio para definição dos conteúdos dos relatórios de sustentabilidade, encontrando nas demandas das partes interessadas a melhor forma de endereçar temas relevantes. Entendendo que este seria um processo abrangente, a materialidade, até a versão anterior das diretrizes da GRI (3.1), era mandatória apenas para grandes organizações, cuja complexidade para definir temas mais críticos seria maior.

O lançamento da G4, em maio de 2013, apontou a percepção já presente no mundo corporativo: as empresas adquiriram conhecimento sobre materialidade, mas ainda não a realizam de modo consistente e com foco estratégico- a pesquisa Materialidade no Brasil, realizada pela Report Sustentabilidade em 2012, identificou essas dificuldades. Além disso, a G4 também revela preocupações e apostas da GRI no cenário atual. Se, por um lado, temos processos ainda inconsistentes, restritos a consultas pontuais para definição de temas materiais, por outro, existe uma crença de que um processo robusto de materialidade pode fazer convergir temas materiais e estratégicos para as organizações.

A materialidade, como parte de um engajamento com os públicos de interesse, aparece como uma poderosa ferramenta para mapear temas de maiores riscos e oportunidades ao considerar percepções dos stakeholders sobre os impactos das organizações. Uma vez que a G4 também exige (por indicadores e orientações) o envolvimento da alta gestão, retoma-se a expectativa de que os temas importantes para os públicos possam ser “filtrados” e avaliados pelos altos órgãos de governança numa etapa de validação. Concretamente, este é o momento em que são definidas as reais prioridades de gestão das empresas entre os temas levantados, considerando eventual inclusão de novos temas ainda não identificados.

A ênfase na materialidade deve encorajar as organizações a fornecer apenas informações críticas para seus negócios e stakeholders. E, para ir além do relato, as organizações têm a oportunidade de se concentrar em impactos na sustentabilidade que realmente importam.

A materialidade torna-se central para a aderência à G4, mas, além disso, prevalece como uma ferramenta completa na identificação, priorização e definição de temas estratégicos. Faz-se necessário o cuidado metodológico e prático na condução desses processos, de forma que os temas da gestão não se limitem a resultados de curto prazo, dos quais a herança financeira ainda conserva nas organizações da antiga economia.

Veja como foram os demais encontros:

4º encontro g4 - governança: como atender novas exigências para reportar

2º encontro - materialidade: ferramenta central da sustentabilidade 

1º encontro - mapa para o caminho da sustentabilidade