2 de Março de 2015

Report: notícias

BRF propõe integração e olhar estratégico em relatório anual

A BRF, companhia brasileira de alimentos criada a partir da fusão da Sadia e da Perdigão, acaba de lançar seu Relatório Anual e de Sustentabilidade 2014. O texto destaca os principais avanços do negócio ao longo do ano – incluindo a inauguração da fábrica de Abu Dhabi, (Emirados Árabes Unidos), a reorganização do portfólio e projetos de eficiência logística – e apresenta indicadores socioambientais para suas operações, em sintonia com a versão G4 das diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI). O conteúdo foi produzido com o apoio da Report, que também elaborará, nos próximos meses, versões compactas do relato.

Como membro do grupo que acompanha nacionalmente as discussões do International Integrated Reporting Council (IIRC), a empresa busca apresentar sua estratégia, gestão e desempenho de modo a conectar informações financeiras e não financeiras. O relatório ainda obedece à estrutura de capitais proposta pelo IIRC, a fim de prestar contas sobre como a empresa administra seus recursos naturais, financeiros, intelectuais, humanos e sociais.

Além da apresentação de resultados, é feito um detalhamento das estratégias de médio e longo prazo que a BRF – sétima maior companhia global de alimentos, em valor de mercado – adota para crescer em regiões como Oriente Médio, Ásia, Europa e Américas, relacionando-as aos desafios regulatórios, socioambientais e de mercado de cada divisão de negócios. Em linha com anos anteriores, priorizou-se o uso de ícones, gráficos e destaques para dar ênfase aos principais indicadores.

Em 2014, a empresa refinou sua materialidade, a fim de conferir mais foco aos temas prioritários e valorizar sua conexão com a estratégia BRF-17 e com os Pilares de Sustentabilidade BRF. Com isso, o texto relaciona de forma mais clara a visão de negócios e a criticidade de aspectos como bem-estar animal, saúde e segurança do consumidor, gestão de fornecedores, conformidade ambiental e integração cultural de funcionários.

Para acessar o relatório, clique aqui.

 
 
 
 
25 de February de 2015

Report: notícias

Timão divulga ao mercado novo relatório de sustentabilidade

O Sport Club Corinthians Paulista lançou o seu relatório de sustentabilidade 2014 no início de fevereiro. O relato traz informações detalhadas sobre seus resultados financeiros, bem como as conquistas alcançadas. Um dos destaques é a inauguração da nova casa dos corinthianos: a Arena Corinthians foi palco da abertura da Copa do Mundo FIFA Brasil 2015 e abrigou outras partidas da competição, além de receber os jogos do Timão. 

                                     

As equipes de futebol da base também registraram bons resultados, com a Sub-20 conquistando os Campeonatos Brasileiro e Paulista, em 2014, e levantando a taça da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2015 pela nona vez, um recorde entre todos os times brasileiros.

Há sete anos, o Corinthians publica um relatório de sustentabilidade em português, inglês e espanhol – em 2012, também teve versões em mandarim e japonês. O objetivo é prestar contas das atividades financeiras e não financeiras a torcedores, sócios, investidores, instituições financeiras, parceiros de negócios, entidades de classe e outros clubes.

Pioneiro no mundo na publicação desse tipo de relatório, o clube adota as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) para coletar e divulgar seus indicadores socioambientais e econômicos. As informações são checadas por auditoria independente, conferindo legitimidade aos dados divulgados. Mais uma vez, o trabalho foi executado em parceria com a Report, responsável pela apuração e edição de conteúdo. Para acessá-lo, clique aqui.

 
 
 
 
25 de February de 2015

Report: notícias

oficina discute processos de materialidade no RJ

Como definir os temas mais relevantes de um negócio? Como gerir as percepções, demandas e expectativas dos públicos consultados? E de que forma tratá-los internamente, prestar contas e manter canais de diálogo que permitam aos stakeholders saber o que uma empresa faz – ou pretende fazer – para gerenciar seus impactos?

É para debater questões como essas, com as quais organizações dos mais diversos setores se deparam, que a Report convida clientes, parceiros e especialistas para participar da oficina Processo de Materialidade, que será organizada no Solar SulAmérica, no Rio de Janeiro, no próximo dia 6 de março, das 14h às 17h.

No encontro, a ideia é aprofundar experiências e avanços das empresas na hora de definir seus temas materiais, com base em cases, exemplos e nas principais diretrizes disponíveis no campo da sustentabilidade corporativa. Entre os assuntos debatidos estarão formas de mapeamento e consulta a públicos, metodologias de análise e os processos de priorização, validação e revisão da materialidade.

Serão apresentados, ainda, os resultados da nova edição do estudo “Materialidade no Brasil”, que analisa o impacto da versão G4 das diretrizes de relato da Global Reporting Initiative (GRI) e do movimento de Relato Integrado sobre as práticas de organizações líderes do País.

Para mais informações, envie um e-mail para [email protected] ou clique aqui e faça a sua inscrição gratuita.

 
 
 
 
19 de February de 2015

Report: notícias

biomimética como estratégia de design e arquitetura

 

De 27 de fevereiro a 4 de março de 2015 acontece em Paraty (RJ) o workshop do projeto Design byNature, produzido pelo Ateliê Marko Brajovic em parceria com arquitetos e pesquisadores. Com o tema Design e arquitetura generativos inspirado na natureza, a atividade tem como foco a biomimética (inspiração na natureza) como estratégia para o desenvolvimento de projetos e produtos inovadores.

O objetivo é proporcionar uma experiência intensiva de estudos e aplicação de estratégias naturais em projetos de arquitetura e design, por meio de uma imersão em processos de modelagem generativa. Os participantes irão explorar parte da Mata Atlântica existente na região e entender sua flora e fauna, além da relação com a arte e cultura locais, para depois produzir estruturas de material ecológico, gerando um aprendizado aplicado durante o processo.

O valor da participação é de R$1600, e os interessados – designers, arquitetos, artistas, professores e estudantes e interessados - devem falar inglês ou português. Inscrições: http://goo.gl/forms/kiq2KoTmpE

Talk byNature 07

Além do wokshop, no dia 28 de fevereiro haverá o seminário gratuito Talk byNature 07, com discussões e apresentação de projetos e ideias inovadores que perpassam os temas da biomimética, design, arte, fotografia, música, sistemas e arquitetura, com o objetivo de criar um espaço de conhecimento e troca em diferentes campos de trabalho. Haverá almoço na cachoeira e meditação.

O Ateliê Marko Brajovic é parceiro da report na realização do Sustainable Brands Rio.

+ Informações: www.bynature.com.br e [email protected]

 

 
 
 
 
11 de February de 2015

Report: notícias

para onde aponta a confiança

Em sua 15ª edição, foi divulgada a pesquisa Trust Barometer 2015, realizada pela agência de relações públicas Edelman e que mede o nível de confiança das sociedades no Governo, Empresas, ONGs e Mídias.

Os resultados apontam que as empresas continuam na liderança como o grupo institucional mais confiável para 73% dos respondentes brasileiros, seguidas pelas organizações não-governamentais (70%). O poder público, pelo segundo ano consecutivo, registra cerca de metade da credibilidade no setor privado, com apenas 37%. Já a mídia apresentou um ligeiro declínio na confiança da população com uma queda de sete pontos percentuais em relação a 2014, registrando 56%.

O estudo entrevistou 33 mil respondentes (27.000 do público em geral e 6.000 respondentes que se enquadram na categoria de público informado), por meio de entrevistas online realizadas entre outubro e novembro de 2014 em 27 países. Os resultados globais e o recorte brasileiro do estudo podem ser acessados integralmente no site internacional.

Alguns destaques:

 

 
 
 
 
9 de February de 2015

Report: notícias

jornada Aberje de mensuração

No dia 10/2, terça feira, será realizada a 1ª Grande Jornada Aberje de Mensuração, das 9h às 18h, no Espaço Aberje Sumaré, em São Paulo. A programação inclui debates com profissionais da área e o lançamento de uma publicação especial sobre o tema: o Caderno de Comunicação Estratégica e Mensuração.

Álvaro Almeida, sócio fundador da report, participa do segundo painel do dia, cujo tema é "Mensauração como atestado de ética e governança: práticas brasileiras", junto com Lívia Queiroz, gerente de reputação do Itaú Unibanco.

Cliquei aqui para se inscrever (associados pagam R$600 e não associados R$800).

 
 
 
 
6 de February de 2015

Report: ensaio

como conectamos sustentabilidade e cultura

Depois de alguns anos empenhadas em inserir os temas de sustentabilidade no dia a dia da gestão, muitas empresas encontraram um novo obstáculo: como propagar essa consciência na cultura corporativa? Só assim, pode-se imaginar um futuro no qual essas questões deixem de ser atribuição de uma área ou departamento e passem a fazer parte inerente da tomada de decisão.

Por Álvaro Almeida*

Com isso em mente, decidimos investigar como conectar sustentabilidade, especialidade da report, com cultura organizacional. Constatamos que o mundo das relações de trabalho está em plena transformação. Cada vez mais, as pessoas buscam se conectar a organizações que compartilhem da mesma visão de mundo, com indivíduos e profissionais que se reconheçam em seus valores e que almejem propósitos comuns. Simplificando bem: propósitos atraem pessoas que se identificam por valores e comportamentos comuns alinhados à sustentabilidade (assim, esperamos).

Trabalhar, portanto, os valores dos stakeholders de uma empresa, buscando localizar os pontos de convergência aos temas de sustentabilidade se revelou um caminho inovador que, enfim, nos permite conectar o tema aos corações e mentes corporativos. Inovador porque, apesar de bastante comum no mundo dos recursos humanos, a análise de valores é utilizada fundamentalmente para superar gargalos de gestão e engajamento institucional, sem qualquer vínculo com a sustentabilidade.

Como se tornou prática na report, optamos por testar a metodologia em nós mesmos. Para tanto, contamos com a experiência do consultor Bernardo Teixeira Diniz, da Spirit, especialista em planejamento estratégico e instrutor certificado na metodologia dos Sete Níveis de Consciência, desenvolvida pelo britânico Richard Barrett e já aplicada em mais de 4 mil empresas em 50 países. O resultado foi transformador.

Convidamos 88 pessoas, entre funcionários, clientes, fornecedores e diversos tipos de parceiros a responderem quais eram os principais valores e os comportamentos que melhor lhes descreviam; quais os que se enquadravam na report do presente; e quais projetavam a report do futuro. Com esse levantamento, foi possível identificar os pontos de convergência de todo o grupo e dos públicos separadamente, além dos valores limitantes que precisavam ser mitigados. Somado ao estudo de materialidade que realizamos na mesma época, o levantamento de valores e comportamentos nos proporcionou um precioso conteúdo para o nosso planejamento estratégico.

O processo nos permitiu identificar os valores que melhor expressam a cultura da report, portanto, aqueles que unem nossa rede de relacionamentos e que devem pautar nossas práticas e iniciativas (veja abaixo). Ao final, com a colaboração de outro parceiro qualificadíssimo, Vicente Gomes, da consultoria Corall, reafirmamos nosso propósito como organização e construímos nosso mapa estratégico, tudo coerentemente alinhado aos interesses de todos os públicos. Concluímos que, tão importante quanto ter uma ótima ferramenta, como a metodologia dos Sete Níveis de Consciência, é maximizar os benefícios de suas descobertas, alinhando propósito, valores e comportamentos individuais e coletivos e estratégia à perspectiva de sustentabilidade.

 

*Álvaro Almeida é socio fundador da report

 

+ Leia a entrevista com Vicente Gomes, da Corall

 
 
 
 
6 de February de 2015

Report: notícias

SBio Recife discute experiências colaborativas nos negócios

Entender como a tecnologia cria os espaços para a exploração de oportunidades da economia colaborativa foi um dos principais propósitos do primeiro Seminário do Sustainable Brands Innovation Open (SBio), realizado na tarde de quinta-feira (5), como parte da programação do VII Recife Summer School, festival organizado pelo Porto Digital.

O SBIO Recife procurou atrair empreendedores ligados a esse importante polo de inovação para a segunda edição da competição de startups, cuja fase final acontecerá durante a conferência internacional Sustainable Brands Rio, organizada pela Report entre 25 e 27 de agosto. “Tivemos uma troca de ideias muito rica, em torno de um conteúdo excelente”, comentou Márcia Nejaim, Gerente executiva de Competitividade e Inovação da Apex Brasil, patrocinadora exclusiva do SBio e apresentadora da SB Rio 2015.

                                        

Primeiro tempo

O primeiro painel da tarde contextualizou a economia colaborativa e suas oportunidades para a geração de novos negócios para empresas de todos os portes – dos empreendimentos disruptivos que nascem a partir de uma ideia aos movimentos das grandes corporações, que buscam manter-se atualizadas às tendências de mercado. Luísa Rodrigues, da Benfeitoria, organização que, entre outras iniciativas, articulou o Festival de Wikinomia Reboot, no Rio de Janeiro, explicou como a evolução e o barateamento do custo da tecnologia abriram espaço para que pessoas com mesmos propósitos se conectassem e começassem a transformar a realidade. “Tendo como base o cuidado, a Wikinomia vai prosperar a partir da criatividade e da colaboração”, definiu.

Na sequência, Joana Sampaio, Gerente de Sustentabilidade do Porto Digital, mostrou como esse polo de inovação tecnológica permite a expansão de iniciativas colaborativas, como aconteceu com o projeto Porto Leve, que desenvolveu uma plataforma de base do modelo de compartilhamento de bicicletas e agora procura fazer o mesmo com carros elétricos. “Vivemos uma onda crowd que vai transformar o nosso jeito de viver”, disse.

Para completar, Murilo Ferraz, CEO e criador da Treebos, vencedora da primeira edição do SBIO, contou como tem empreendido e conseguido levar seu sonho para a Europa e os Estados Unidos. “Com o apoio de plataformas como o Desafio Brasil, o Sustainable Brands e a Apex Brasil, tenho conseguido estabelecer as conexões que preciso para refinar e impulsionar meu negócio”, afirmou ele, que criou um modelo de produção sustentável e compartilhada de frutas.

                             

Segundo tempo

O foco foram as oportunidades em mobilidade, grande questão do mundo moderno, especialmente dos centros urbanos e que impacta em todas as dimensões da vida em sociedade. Guilherme Telles, diretor-geral da Uber em São Paulo, empresa de tecnologia presente em 51 países e em mais de 250 cidades no mundo, contou o desafio de implantar no Brasil um novo serviço de conexão de passageiros com motoristas profissionais: “Temos que nos fazer explicar, mostrar os benefícios de qualidade para os usuários e para os motoristas e também localizar bons profissionais para trabalhar conosco e expandir nossa atuação.”

Já Pedro Palhares, Country Manager da Moovit, de origem israelense, trouxe a dificuldade de conectar informações da iniciativa privada e do poder público. “Somos o Waze do transporte público e precisamos conectar as informações e colocar a serviço dos usuários, mas encontramos grande resistência e enorme defasagem tecnológica dos operadores", explicou. “Hoje, nossos usuários já mapearam informações que muitas administrações públicas ao redor do mundo não dispõem”.

Por fim, André Marim apresentou como tem sido empreender a Fleety, primeira iniciativa de compartilhamento de carros próprios da América do Sul, ao estilo do Airbnb. “Toda inovação precisa de muito convencimento e de estudo para se encontrar o espaço de atuação, especialmente na questão legal e tributária. No nosso caso, ainda trabalhamos intensamente para chamar a atenção das seguradoras para essa nova realidade”. Todos concordam que a mobilidade tem se mostrado um grande espaço para o surgimento de soluções colaborativas, que, com suporte das tecnologias de informação, exploram os recursos da conectividade e do big data.

 
 
 
 
5 de February de 2015

Report: notícias

capitalismo com propósito maior

Qual o futuro do capitalismo? Para empresas como a cadeia de supermercados norte-americana Whole Foods a resposta é o capitalismo consciente, visão de negócios que procura solucionar os dilemas atuais da sociedade trazendo o ser humano para o centro da gestão das organizações. Tais empresas têm obtido bom desempenho, gerando desenvolvimento local, satisfação dos colaboradores e lucro para os acionistas.

Mas como explicar que, ao deslocar o fator financeiro de sua posição central na estratégia, essas empresas apresentem rentabilidade maior do que a média das organizações com visão convencional de seus negócios? Para Vicente Gomes, do Instituto Capitalismo Consciente e da Corall Consultoria, o diferencial dessas empresas é o pensamento integrado, que permite um melhor aproveitamento da relação entre os diferentes tipos de capital (financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, natural). No bate-papo abaixo, Gomes esclarece a ideia de capitalismo consciente e analisa os diferenciais das empresas que adotam essa postura.

reportnews: Quais as características das empresas que atuam sob os princípios do capitalismo consciente?

Vicente Gomes: O capitalismo consciente possui quatro pilares: a integração com stakeholders, o que significa ouvir as necessidades desses públicos e incorporá-las ao negócio; a liderança consciente, ou seja, ter pessoas que inspirem e de certa forma estejam no processo de se conhecer melhor e conhecer melhor a vida no planeta; o propósito maior, que é a adoção de valores, de uma visão que vá além do lucro; e a cultura consciente, ou a criação de um jeito de ser que incorpore toda essa filosofia.

reportnews: E que benefícios isso tudo traz para a companhia?

Gomes: A empresa passa a olhar para seu negócio de forma integrada. Consegue que seus colaboradores estejam envolvidos com o desenvolvimento da empresa, mais do que em uma situação em que não há identificação com o propósito da companhia. E profissionais dedicados conseguem superar com mais facilidade os desafios do mercado, cada vez maiores e mais complexos.

E isso impacta na rentabilidade. O professor Raj Sisodia, do Babson College, nos EUA, realizou um estudo para entender o que as empresas que são mais amadas fazem de diferente. Ele descobriu que, em cinco anos, estas empresas criaram nove vezes mais valor que outras companhias. Conseguiram ser 825% vezes mais rentáveis que a média.

reportnews: Como o conceito tem evoluído no contexto empresarial?

Gomes: Já existem algumas empresas, inclusive no Brasil, que experimentam uma forma diferente de gestão. Há uma abertura para o diálogo com stakeholders, um espaço para que as pessoas sejam pessoas, ou até mesmo trazendo a espiritualidade para dentro da empresa, criando estruturas organizacionais coerentes com o capitalismo consciente.

O que essas empresas querem trazer ao mundo é uma evolução do capitalismo, focado em resultados, mas também oferecendo alternativas. É legal poder criar prosperidade, mas é possível fazer mais.

+ Saiba mais: http://www.capitalismoconscientebrasil.org/

 
 
 
 
3 de February de 2015

Report: notícias

storytelling mal contado: os casos Diletto e Do Bem

Storytelling: a técnica de contar histórias. Em voga entre profissionais de marketing e publicidade, o termo é visto como uma forma eficaz de divulgar produtos, valores e atributos essenciais de empresas e marcas – enriquecendo campanhas publicitárias com elementos narrativos. Mas essas histórias nem sempre têm final feliz. Que o digam a Diletto, marca paulistana de sorvetes, e a Do Bem, fábrica carioca de sucos.

No fim de 2014, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) anunciou uma investigação sobre as “historinhas” sustentadas por ambas as marcas. A Diletto foi obrigada a assumir que o italiano “Nonno” Vittorio, supostamente o avô do fundador da sorveteria e criador das receitas originais, nunca existiu. A empresa alterou suas campanhas e eliminou o personagem. A Do Bem, que compra frutas processadas por grandes fornecedores – mas afirmava que as laranjas usadas em seus sucos eram “colhidas fresquinhas todos os dias e vêm da fazenda do senhor Francisco do interior de SP” – também teve que se retratar.

As análises do Conar basearam-se apenas na comunicação das marcas, sem emitir julgamento sobre os produtos. Mesmo sem a aplicação de multas ou sanções judiciais, os arranhões na reputação das empresas foram fundos. A repercussão na mídia e nas redes sociais foi grande e gerou uma discussão sobre os limites do storytelling na publicidade. “Pelos estudos que fizemos, revelações como as que envolveram a Diletto e a Do Bem mancham a marca para uma boa parcela das pessoas, algo em torno de 40%”, afirmou Fernando Palácios, professor de branded content da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “A regra é simples: se você estiver contando uma verdade, diga que é baseado em fatos reais e se for mentira diga logo que é uma ficção. As pessoas não se importam com ficção – mas também não querem mais ser enganadas”.

“O problema em si não é a ‘invenção’ de uma história, mas algo mais delicado: o discurso e a ‘forma’ como essa história é contada”, afirmou Eric Messa, professor da faculdade de Comunicação e Marketing da FAAP/SP. “O limite entre fantasia realidade está em plena discussão na sociedade. É por isso que casos como da Diletto ganham tanta repercussão.”

 
 
 
 

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